Exame de sangue pode detectar risco de Alzheimer
Uma nova análise de sangue pode identificar os grupos de risco da doença de Alzheimer até seis anos antes que os sintomas se manifestem, os pesquisadores dizem.
O teste identifica mudanças nas proteínas que um punhado de células utilizam para transmitir mensagens a um outro grupo de células distintas.
Os pesquisadores norte-americanos descobriram que o exame também poderia indicar quem tinha a doença de Alzheimer, bem como que era provável que também indicasse o desenvolvimento do estado da doença, com 90% de precisão.
O trabalho, liderado pela Universidade de Stanford, aparece na Nature Medicine.
“Isso é uma pesquisa emocionante, e os resultados da investigação e os níveis de precisão são muito promissores.”
Rebecca Wood
Alzheimer"s Trust
Um dos aspectos mais angustiantes da doença de Alzheimer é a dificuldade em determinar se leves problemas de memória são o começo de um inevitável declínio mental.
Atualmente, a doença de Alzheimer é efetivamente diagnosticada afastando outras causas de declínio mental.
Mesmo assim, só pode ser confirmada categoricamente com a realização de um post-mortem.
O último estudo identificou uma ligação entre as alterações no cérebro que acompanha o Alzheimer, e mudanças na forma como as células comunicam-se umas com as outras.
O pesquisador lider Dr. Tony Wyss-CORAY disse: "Assim como um psiquiatra pode concluir um monte de coisas simplesmente ao escutar as palavras de um paciente, da mesma maneira nós, ao "ouvirmos" as mais diversas proteínas, estamos medindo para sabermos se algo vai mal nas células."
Proteína padrão
Os investigadores mediram os níveis de 120 proteínas utilizadas pelas células para se comunicar, para ver se alguma poderia dar uma pista sobre a doença de Alzheimer.
Amostras de cinco pessoas com doença de Alzheimer foram comparadas com amostras de cinco pessoas sem a doença.
Níveis de uma série de proteínas foram flagrantemente diferentes entre os dois grupos.
Em seguida, os investigadores refinaram ainda mais suas pesquisas, analisando amostras de sangue de 129 pessoas com sintomas que vão desde a deficiência mental leve até Alzheimer grave.
Eles descobriram que a doença de Alzheimer foi associada a níveis específicos de 18 proteínas chave.
Eles utilizaram um sistema de aviso prévio, com um novo padrão para avaliar 92 pacientes que já tinham sido avaliados clinicamente com Alzheimer - e os diagnósticos paralelos em nove dos 10 casos.
O teste produziu um nível semelhante de sucesso quando foi utilizado para analisar amostras de sangue que tinham sido tomadas duas a seis anos antes de pacientes, que foram seguidos até descobrir se seus níveis mentais de declínio leve tinham progredido para algo mais grave.
Produção das células sanguíneas
As 18 proteínas que indicam a doença de Alzheimer estão também envolvidas na produção de novas células do sangue, processos imunológicos e a morte de células no final do seu ciclo de vida natural.
Dr. Wyss-CORAY disse: "Nossa hipótese é que há algo de errado com a produção de certas células do sangue, que podem ser necessárias, para limpar o material que se acumula no cérebro na doença de Alzheimer."
A equipe de Stanford salientou que mais trabalho era necessário para confirmar os seus resultados, mas Satoris, uma empresa para a qual o Dr. Wyss-CORAY trabalha como consultor, tem planos para desenvolver um protótipo de teste para utilização em laboratórios de pesquisa.
Rebecca Wood, da Alzheimer Trust, disse: “Isso é uma pesquisa emocionante, e os resultados da investigação e os níveis de precisão são muito promissores.”
"No entanto, é necessária uma investigação mais aprofundada com um grupo maior para confirmar estes resultados e determinar se uma simples, rigorosa análise de sangue para a doença de Alzheimer pode se tornar uma realidade."
Dr. Susanne Sorensen, da Alzheimer"s Society, disse que um exame de sangue seria um enorme avanço, uma gigantesca barreira que seria quebrada e posta de lado na Medicina.
Ela disse: "O diagnóstico precoce é essencial, se é que nós realmente pretendemos desenvolver tratamentos que venham a mudar o curso ou interromper a progressão da demência em vez de apenas tratar os sintomas."
Link:
news.bbc.co.uk/go/em/fr/-/2/hi/health/7041192.stm
Paulo R. S. De Bittencourt - Tradução e Adaptação - BBC News
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