Obesidade não é culpa das pessoas
Os indivíduos já não podem mais ser responsabilizados pela obesidade e o governo deve agir para impedir para que a Grã-Bretanha caminhe para uma crise sem precedentes, um relatório concluído.
O maior estudo sobre a obesidade de toda a história médica inglesa, apoiado pelo governo e compilado por 250 especialistas, disse que agora excesso de peso é uma norma em nossa sociedade "obesogênica".
Ações globais dramáticas e compreensivas foram requeridas de modo a impedir que a maioria de nós se torne obesos por volta de 2050, eles disseram.
O governo se comprometeu a elaborar uma estratégia para resolver a questão.
Mas os autores do relatório admitiram que a prova de que qualquer política anti-obesidade funcione "é escassa".
TOP RECOMENDAÇÕESI
- Intervenções no início da vida
- Segmentação daqueles em maior risco
- Controlar alimentos de alto teor calórico
- Tornar as cidades mais exigentes fisicamente
- Aumentar a responsabilidade patronal
Não obstante, eles disseram que todos os níveis da sociedade, até as pessoas pertencentes aos escalões mais elevados do governo, tiveram que se envolver na campanha contra a condição que trouxe tamanhas conseqüências sociais e econômicas.
Em 2002, aqueles que estavam acima do peso ou eram obesos custavam cerca de £ 7bn para tratamento, em benefícios do estado e custos indiretos, como a perda de rendimento e a redução da produtividade.
“A cultura da “culpa não é minha” está aterrizando em nossos estômagos - e não adianta absolutamente nada esperar que o governo tome alguma atitude antes que seja tarde demais.”
Iain, Dundee
Em 40 anos, esse número poderá chegar a cerca de £ 46bn, com os serviços de saúde lutando para lidar com problemas de saúde tais como diabetes tipo 2, câncer e acidente vascular cerebral que podem ser associados com excesso de peso.
Um obeso morre em média nove anos mais cedo do que alguém de peso normal, enquanto uma pessoa muito obesa tenha sua vida média encurtada em 13 anos.
"Existe o perigo de que o momento de agir radicalmente dramaticamente, seja perdido", disse Sir David King, o conselheiro científico-chefe do governo e chefe do programa que elaborou o relatório.
"É um problema que piora a cada ano."
Tão difícil
A obesidade, os autores concluíram, foi uma conseqüência inevitável de uma sociedade na qual energia densa e alimentos baratos,além de dispositivos responsáveis por automatizar grande parte da mão de obra, diminuindo enormemente a carga de trabalho do homem, e por fim o transporte motorizado e o trabalho sedentário, estavam sempre em alta.
PREVISÕES PARA 2050:
O relatório prevê que, caso se mantenham as tendências atuais:
- 60% dos homens, 50% das mulheres, e 26% das crianças e dos jovens serão obesos
- Os casos de diabetes tipo 2 aumentarão em 70%
- Os casos de acidente vascular cerebral aumentarão em 30%
- Casos de doenças coronárias aumentarão em 20%
Dra. Susan Jebb do Conselho de Investigação Médica disse que, neste meio, seria surpreendente que sequer houvesse sobreviventes magros e assim a noção de obesidade simplesmente como um produto de indulgência pessoal, teve de ser abandonada para sempre.
"O estresse todo tem recaído sobre a escolha do estilo de vida mais saudável pelos indivíduos. Agora vemos que isso não é o suficiente.", disse ela.
Planejando nossas cidades para encorajar mais atividade física para colocar mais pressão sobre mães lactantes - suspeitas de abrandar o ganho de peso infantil - o relatório destaca uma série de opções políticas, sem fazer quaisquer recomendações concretas.
A indústria já estava trabalhando para tornar disponíveis produtos saudáveis, o relatório assinalou, ao mesmo tempo que o trabalho estava avançado no que se referia em transformar a própria composição do alimento de modo que este fosse digerido mais lentamente e passasse uma sensação de satisfação por mais tempo.
Mas Sir David disse que era claro que o governo necessitava envolver-se, pois, nesta ocasião, o mercado estava falhando.
Tática de Choque?
Secretário de Saúde Alan Johnson descreveu o relatório como "nada, além de desafiador" e disse ser necessário um debate nacional sobre o melhor caminho a seguir.
Ele disse que uma estratégia inter-governamental seria desenvolvida para responder ao desafio da obesidade.
ESCALA IMC
Baixo: Menos de 18,5
Normal: 18,5 a 24,9
Sobrepeso: 25 a 29,9
Obesos: 30 ou mais
IMC é calculado dividindo peso em quilos pela altura em metros ao quadrado
Gráfico: IMC num ápice
Ele disse: "Como este relatório demonstra duramente, as pessoas no Reino Unido não são mais gordas do que as de suas gerações anteriores e a ação individual por si só não é mais capaz de solucionar o problema.
"As soluções não serão encontradas em exortações a uma maior responsabilidade individual ou na futilidade de iniciativas isoladas."
Ministra da Saúde Pública Dawn Primarolo disse que era muito cedo para dizer se a mesma abordagem de “choque” vista na saúde pública nas advertências contra o fumo seria aprovada com a obesidade, ou se um imposto sobre os alimentos gordos, destacado no relatório, mas amplamente rejeitado por ser impraticável, será considerado.
"A coisa mais importante é que tem de haver consenso público e uma compreensão das questões que todos estamos a desafiar", disse ela.
"Um mandato para a mudança será difícil porque tem de ser precedida por uma compreensão dos perigos da obesidade."
Ela disse que o principal objetivo agora era reduzir a proporção de crianças com sobrepeso e obesidade em 2020 em níveis do ano 2000.
Mas a British Heart Foundation (BHF) acusou o governo de um recuo em promessas, dizendo que esta era uma "suave, mais distante" meta do que uma originalmente proposta - para travar taxas de obesidade infantil até 2010.
Mas o Royal College of Physicians disse que o relatório foi "encorajador".
"A ênfase na inter-governamentabilidade é particularmente bem-vinda, como é a importância de abordar questões em toda a sociedade, evitando a culpa", disse o seu presidente, o professor Ian Gilmore.
A Food and Drink Federation disse que compreendeu o seu papel no combate ao problema.
"Nossa indústria é hoje amplamente reconhecida como líder do mundo quando se trata de reformular produtos, alargando a escolha dos consumidores, e introduzindo melhor a rotulagem nutricional", disse um porta-voz.
Andrew Lansley, o Subsecretário de Saúde, afirmou: "O governo esteve dormindo durante a última década, enquanto os sinos não deixaram de tocar.".
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