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Tradição de inovação



As equipes de profissionais associados com o Dr. Paulo Rogério M de Bittencourt se caracterizaram por estabelecer novas técnicas trans-disciplinares de diagnóstico e tratamento em um amplo campo ligado ao sistema nervoso central. Psicólogas, fisioerapêutas, neurologistas, neurologistas infantis, psiquiatras, clínicos, enfermeiras e técnicos de neurofisiologia, foram envolvidos em treinamento no Brasil, Inglaterra, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Canada. A característica do método britânico do doutorado realizado no Institute of Neurology e no Chalfont Centre for Epilepsy, em Londres, entre 1977 e 1982, ensinou a estes grupos como fazer bons julgamentos de aplicação clínica em áreas envolvendo imagem, eletrofisiologia e farmacologia clínica de doenças do sistema nervoso. As equipes centralizadas na clínica da rua Padre Anchieta desenvolveram uma série de novas técnicas em nível internacional, estabeleceram outras em nível latino-americano e de mundo em desenvolvimento. Estes avanços aqui mencionados estão todos documentados em publicações científicas indexadas. Nos anos 1990 as equipes associadas com a clínica da rua padre Anchieta e o Hospital Nossa enhora das Graças eram um dos grupos mais produtivos e proeminentes da Neurologia mundial.

Avanços conceituais, técnicos, cirúrgicos e clínicos

Estas equipes introduziram no Brasil o conceito de doença de Alzheimer e as demências frontotemporais; o eletroencefalograma ambulatorial (Holter de EEG); a eletrocorticografia digital; a cirurgia de epilepsia com técnicas digitais não-invasivas; sua estatística de quase 110 casos de epilepsia operados sem acidentes de morbidade neurológica ou mortalidade ainda é o melhor do Brasil e do mundo em desenvolvimento; a neuropsicologia quantitativa e testes de Wada aplicados a candidatos a cirurgia de epilepsia; publicaram seu próprio método de mapeamento do EEG e o primeiro método de hipocampometria por ressonância magnética; esclareceram a famacologia clínica da  amiodarona, um remédio essencial para os cardiologistas e neurologistas; estabeleceram o diagnóstico por tomografia computadorizada e ressonância magnética de esclerose múltipla e neurocisticercose; realizaram os primeiros estudos de drogas novas para neurocisticercose, epilepsia e esclerose múltipla. No campo de Infectologia o praziquantel para neurocisticercose e o aciclovir para encefalites e neurotes herpéticas; no campo de epilepsia a oxcarbarzepina, o felbamato e a lamotrigina; no campo da esclerose múltipla os interferons, foram introduzidos no Brasil e no mundo em desenvolvimento em estudos realizados na rua Padre Anchieta e no Hospital NS das Graças. As mesmas equipes introduziram no Paraná a video-polissonografia digital e o atendimento de urgência de AVCs com r-TPA.

Avanços em Neuroimunologia: restauro de função neurológica

Tratamento imunológico de pacientes com vasculites, miastenia gravis, polineuropatias e esclerose múltipla era realizado nos Hospitais Nossa Senhora das Graças e Santa Cruz, pessoalmente pelo Dr Paulo Rogério. Em 2005, através de um experimento clínico amplamente divulgado na mídia e publicado na Acta Neurologica Scandinavica, o grupo  introduziu o tratamento de mobilização de células tronco hematopoiéticas para doenças auto-imunes. Inesperadamente, documentou, em nível internacional, o que talvez tenha sido o primeiro caso clínico de recuperação de função neurológica e de lesões de sistema nervoso central em esclerose múltipla, participando de uma revolução na Neurologia, contemplando a possibilidade de que deficits neurológicos estabelecidos poderiam, pela primeira vez na história, ser restaurados.

Envolvimento com associações de pacientes

Este intenso envolvimento científico foi acompanhado de atividade em prol dos pacientes. Foi dentro deste mesmo grupo de profissionais que foi estabelecida em Curitiba e primeira associação de portadores de doença neurológica, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla de Curitiba. No ano seguinte o Dr Roberto Melaragno e seus pacientes estabeleceram a associação em Sâo Paulo, e os curitibanos gentilmente permitiram que a de Sâo Paulo ficasse com a iniciativa nacional. Em troca, o Dr Paulo Rogério permaneceu membro do Conselho Médico da ABEM de forma definitiva. As atividades ligadas à Liga Brasileira de Epilepsia e à International League Against Epilepsy estão documentadas no currículo do Dr Paulo Rogério.

Bioética

O envolvimento com Bioética foi muito precoce, inclusiva para dar respaldo a toda a atividade científica. Assim, a Unidade de Neurologia Clínica foi a quinta instituição brasileira, e a primeira insituição privada, a ter comissão de ética em pesquisa reconhecida pela CONEP ainda no tempo do professor Edvaldo Carlini. Também em Ética Médica, ocorreu participação precoce com a definição de critérios de morte cerebral no nível paranaense. Foi na UTI do Hospital NS das Graças que ocorreram os primeiros diagnósticos de morte de tronco cerebral, baseados em exame clínico do neurologista, ainda nos anos 80.

Projeto Saúde

Entre agosto e novembro de 1998 foram selecionadas e treinadas profissionais que se caracterizam por sua iniciativa, disposição de desenvolver novos projetos, e fluência em lingua inglesa. Priscila Campos, Maria Paula Bock da Silva e Sheila Tanaka formaram, sob a supervisão do Dr. Paulo Rogério Bittencourt, o Projeto Saúde, com o objetivo de providenciar a clientela da clínica um atendimento moderno, científico e ético nas áreas de saúde mental e física, em especial obesidade, fibromialgia e dores pelo corpo. Com uma visão de melhorar a saúde ao invés de tratar somente doenças, esta equipe desenvolveu dietas, métodos de tratamento fisioterápico e psicológico, muito ligados à psicoterapia comportamental cognitiva, e seus conceitos e atitudes foram incorporados nas relações com todos os pacientes.

Prevenção e Tratamento de doença de Alzheimer

Foi relacionado com este trabalho que a clínica estabeleceu em território brasileiro a prevenção de doença de Alzheimer, com medicamentos manipulados e mudanças de hábitos de vida. Da mesma forma, estabelecemos, para terror dos cardiologistas, que o controle da hipertensão arterial é mais eficiente e simples com uma formulação manipulada introduzida por um epidemiologista e um sanitarista ingleses, a chamada polipílula, chamada por nós de pílula de vida. Passamos a utilizar mais intensamente anti-inflamatórios e mesmo imunossupressores em demências.